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Português é raridade nas fachadas das áreas mais ricas

Edison Veiga

20 Novembro 2016 | 05h02

Por DANIEL BRAMATTI

Assim como os marqueteiros do setor imobiliário, os decoradores de vitrines parecem não ter dúvidas de que nossas classes média e alta buscam viver e comprar em ambientes que façam referência aos Estados Unidos e à Europa.

Se no seu bairro as lojas já trocaram a boa e velha liquidação por sale, e se nas vitrines os 10% de desconto não valem tanto quanto 10% off, será difícil encontrar um prédio com menos de 30 anos cujo nome esteja em português. Na geopolítica das fachadas paulistanas, é nas áreas mais ricas da cidade que os termos estrangeiros – em especial os em inglês – são mais frequentes.

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Em distritos de alta renda como Moema, Jardim Paulista e Consolação, quase três quartos dos edifícios lançados nas últimas três décadas foram batizados com nomes em inglês, francês ou italiano. Quanto mais longe do centro expandido, menores são as taxas de estrangeirismos, como mostra o mapa publicado na página ao lado.

Além de fazer referência ao primeiro mundo, muitos nomes de prédios buscam evocar a arquitetura aristocrática de outras eras. Em conjunto, os termos palácio, palacete, palais, palazzo e palace podem ser lidos em 103 fachadas da cidade. Há ainda 30 chateaus, e nada menos que 176 maisons.

Há 49 towers, e apenas 28 torres. Em compensação, os jardins (104) superam os gardens (77) e giardinos (29).

Nas referências geográficas, 77 piazzas e 74 plazas deixam em minoria as 35 praças que dão nome a edifícios da cidade. Os villaggios (112) são quase tão numerosos quanto os villagios (97) – o problema é que essa última grafia não existe, ao menos no italiano.

O Upper Class Condominium, na Vila Sônia, que se traduz por condomínio de classe alta, não é o único a exaltar o exclusivismo. O termo private está em 14 fachadas. As variações privilége e privilege, em outras dez.

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