Parques de SP sofrem sem manutenção
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Parques de SP sofrem sem manutenção

Reportagem visitou 12 áreas verdes municipais e estaduais da capital nas últimas duas semanas e encontrou problemas em todas elas

Edison Veiga

03 Setembro 2016 | 16h00

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Sujeira, brinquedos quebrados, plantas malcuidadas, pavimentação esburacada. Não foram poucos os problemas encontrados pelo Estado em 12 parques públicos – municipais e estaduais – da cidade nas últimas duas semanas. A reportagem esteve nos parques do Ibirapuera, Aclimação, Villa-Lobos, Independência, Dom Pedro II, Jardim da Luz, Burle Marx, Juventude, Água Branca, Praça do Pôr do Sol, Alfredo Volpi e do Povo.

No Ibirapuera, o mais movimentado da cidade – chega a receber até 200 mil pessoas em um único dia –, havia bancos quebrados, tanto assentos quanto encostos, placas de sinalização arrancadas e totens nebulizadores de água que não funcionam. Um exemplo está praticamente na frente do prédio da administração, onde um banco está com as ripas bambas no assento e quatro parafusos faltantes.

Há riscos também para a criançada: no parquinho faltam degraus tanto na escada de um brinquedo tipo trepa-trepa quanto em um dos escorregadores. Em diversos pontos, o cercado de madeira do gramado também tem partes quebradas. Havia pichações em lixeiras e em pontos de coleta seletiva.


No Parque da Aclimação, os totens com nebulizadores também não funcionam. Ali chama a atenção o descaso com o laguinho artificial com jardim, à esquerda de quem entra pelo acesso da Rua Robertson: a atração, inaugurada nos anos 1990, parece abandonada. Também no centro, o Parque Dom Pedro II tem sujeira e se transformou em abrigo para sem-teto.

No entorno do Museu do Ipiranga (fechado para reforma), o Parque da Independência está com o seu imponente conjunto de fontes desativado. O espelho d’água do jardim também está seco – ou com poças de água de chuva.

Transformada em parque em decreto assinado há um ano, a Praça do Pôr do Sol, na zona oeste, estava cheia de garrafas espalhadas pelo gramado e tinha algumas lixeiras quebradas. Próximo dali, o Villa-Lobos está com o orquidário praticamente sem plantas.

Foto: Felipe Rau/ Estadão

Foto: Felipe Rau/ Estadão

Na região do Morumbi, o Parque Burle Marx, apesar de no geral bem cuidado, exibia um espelho d’água com água esverdeada – algumas embalagens plásticas flutuavam ali. Na mesma região, o Alfredo Volpi tem problemas na manutenção dos brinquedos.

No Parque do Povo, na zona sul, o playground também tem problemas: a trama de rede de corda de um dos brinquedos estava rasgada. Em um dos canteiros de plantas, batizado de Jardins dos Sentidos, havia plantas secas e sujeira. A ciclovia tinha falhas no pavimento.

Na zona norte, o Parque da Juventude não tem mais a pista de arvorismo. Na Barra Funda, o Parque da Água Branca tem problemas no parquinho: dos 21 balanços originais, sete não estão em operação. O Jardim da Luz, no centro, também está com uma das fontes desativada. O aquário subterrâneo que existe no endereço está completamente sujo – é impossível enxergar os peixes.

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Prefeitura e Estado prometem vistorias e revitalização de áreas

A reportagem questionou as administrações estadual e municipal a respeito dos problemas verificados nos 12 parques públicos visitados nas últimas duas semanas. Dentre as áreas verdes conferidas, são de responsabilidade do Estado os parques Villa-Lobos, da Juventude e o Doutor Fernando Costa, conhecido como da Água Branca. Os outros são administrados pela Prefeitura: Ibirapuera, Aclimação, Burle Marx, Alfredo Volpi, Jardim da Luz, Praça do Pôr do Sol, Independência, D. Pedro II (Praça Cívica Ulisses Guimarães) e Mário Pimenta Camargo, mais conhecido como Parque do Povo.

Quanto à sujeira, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente ressaltou que os locais têm contratos específicos para o serviço, que é fiscalizado pelo gestor de cada área. “Os parques têm um quadro satisfatório no quesito, sendo frequentemente elogiados em relação aos municipais”, disse a arquiteta Ana Lúcia de Faria, da coordenadoria de Parques Urbanos da pasta.

Quanto ao orquidário do Villa-Lobos, a arquiteta explicou que o local “está passando por um período de revitalização, com a pintura e troca de alguns equipamentos”. Sobre a trilha de arvorismo do Parque da Juventude, a pasta esclareceu que o passeio era uma parceria entre uma associação e o Estado – e foi encerrada sem que houvesse entendimento pela renovação.

Por fim, quanto ao Parque da Água Branca, a arquiteta informou que cinco dos balanços faltantes foram “retirados para ampliar a segurança das crianças”. “Este cuidado está alinhado com diretriz da Associação Brasileira de Normas Técnicas sobre segurança em playgrounds, segundo a qual são admitidos somente dois assentos em cada local”, explicou ela. Outros dois balanços entretanto, “precisavam de manutenção e esta já está sendo feita.”

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, também foi questionada em relação aos itens verificados pela reportagem.

Em nota via Secretaria de Comunicação, ressalta que “os locais apontados pela reportagem serão vistoriados pelas equipes” da pasta. Com relação ao Parque Dom Pedro II, disse que “os agentes da Subprefeitura Sé efetuam a limpeza, lavagem e coleta de resíduos diariamente” e “a Secretaria de Assistência Social faz abordagens diárias às pessoas em situação de rua no local”.

Locais não dão conta da demanda, afirma urbanista

Urbanistas criticaram a situação dos parques públicos de São Paulo. “Como são poucos para a demanda, acabam superutilizados. Seus equipamentos não suportam tamanho público”, acredita o arquiteto e urbanista Lucio Gomes Machado, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP).

Para ele, as más condições também são “reflexo do desmonte das administrações públicas em todas as instâncias”. “Faltam equipes técnicas. Falta compromisso dos gestores.”

“A raiz está no descompromisso dos gestores com o funcionamento real, a operação efetiva, a manutenção realizada com a eficiência e a constância”, diz o arquiteto e urbanista Henrique de Carvalho, do ateliê Tanta. “Tudo se perde em desatenção, conformismo diante de improvisos e precariedade, licitações demoradas, descumprimento de prazos, gente que não dá conta do trabalho. Não vemos solução dos problemas de gestão dos parques”, afirma. (Clique aqui para ler análise completa do especialista.)