Padre Fábio de Melo e outros religiosos nas redes sociais
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Padre Fábio de Melo e outros religiosos nas redes sociais

O sacerdote usa Twitter e Snapchat com espontaneidade e reúne milhões de seguidores

Edison Veiga

10 Março 2016 | 06h14

Ele canta do jingle do Eymael, aquele que é “um democrata cristão”. Ele assiste à cerimônia de premiação do Oscar. “Não tenho condição de comentar o Oscar não porque o filme mais moderno que eu assisti foi Tomates Verdes Fritos”, diz, sobre o longa de 1992. Ele reclama do cansaço. “Hoje estou mais destruído do que bagaço de cana” e “hoje trabalhei feito um camelo na Jordânia”. Ele reclama dos seguidores que não lhe dão sossego. “Sabe o que estou fazendo? Estou aqui lendo com profunda indignação as desavenças que estou recebendo no Twitter.”

Foto: José Patricio/ Estadão

Foto: José Patricio/ Estadão

Ordenado sacerdote há 14 anos, Fábio José de Melo Silva, o padre Fábio de Melo, de 44 anos, é uma celebridade das redes sociais. Sua espontaneidade começou a aflorar junto a fiéis e não fiéis no Twitter, onde ele já postou mais de 15 mil vezes desde maio de 2009 – seu rebanho na rede de microblogs está na casa dos 1,78 milhão de seguidores.

No mês passado, padre Fábio de Melo descobriu o Snapchat, uma rede social que agiliza a troca de vídeos pelo celular. Virou sensação – no último domingo, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu entrevista com ele sobre o tema. (Os vídeos que aparecem neste post foram todos gravados e publicados pelo padre em sua conta no aplicativo.)

Não é o primeiro caso de celebridade católica a surfar nas ondas da internet. Mas, talvez, seja o caso mais espontâneo – ele conversa com seu público como pessoa física, sem a batina e com muito bom humor.

Diferente, por exemplo, do mais famoso sacerdote brasileiro, padre Marcelo Rossi. Este fincou os pés na internet em janeiro de 1999, com a inauguração de seu primeiro site oficial. Com orações, horários de missas, testemunhos e dicas de como chegar ao seu santuário, era inovador na época, ainda mais para um padre. Um ano depois, ele recebia 7 mil visitantes por dia.

Quando as redes sociais começaram a se popularizar, padre Marcelo também criou perfis. Em entrevista que me concedeu em 2012 – cujo conteúdo está no meu livro Padre Marcelo Rossi: A Superação Pela Fé -, ele admitiu que dá mais ênfase ao Facebook do que ao Twitter. Também disse que acaba terceirizando os posts. A incumbida das tarefas é uma de suas irmãs, a enfermeira Marta. “Quem me ajuda com isso tudo é minha irmã caçula”, afirmou. “Ela é muito religiosa e largou sua carreira para me ajudar nessa parte de divulgação.” Seus posts são bem mais sérios do que os do colega Fábio de Melo – em geral, trazem mensagens religiosas ou divulgam suas aparições na mídia.

Cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer está no Twitter desde 2011. Posta diariamente para mais de 94 mil seguidores – costuma publicar versículos bíblicos como um convite à reflexão. Papa Francisco também usa o Twitter para postar mensagens. A iniciativa vem da gestão de seu antecessor, Bento XVI.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não tem um posicionamento ou diretrizes quanto às maneiras como um sacerdote católico deve se portar nas redes sociais – e casos específicos devem ser analisados pelo bispo ou superior do mesmo.

Em 2014, um curso de comunicação oferecido pela CNBB a bispos contou com oficinas para ensiná-los a usar bem as redes sociais. Pouco tempo depois, quando conversei com o arcebispo de Campo Grande, d. Dimas Lara Barbosa – no posto de presidente Episcopal para a Comunicação da CNBB -, ele demonstrou entusiasmo com essas ferramentas contemporâneas. “Temos procurado orientar os bispos para que todos usem não só as mídias tradicionais, mas também as novas. Claro que também orientamos acerca dos perigos de uma exposição excessiva nas redes sociais. E há uma função educativa da Igreja nesse quesito, não só aos religiosos, mas aos católicos de modo geral”, disse ele, na ocasião.