O ranzinza do Natal
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O ranzinza do Natal

Chegou o feriadão das obrigações

Edison Veiga

24 Dezembro 2014 | 09h48

Foto: JF Diorio/ Estadão

Foto: JF Diorio/ Estadão


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O ranzinza do Natal tem a certeza de que o feriado expandido desta época do ano, este que já começou e só acaba lá pelo Dia de Reis, é o pior de todos. Porque é cheio de compromissos.

Pense num feriadão qualquer. Sei lá, Sete de Setembro. Raros são os cívicos que hasteiam bandeira, cantam o Hino. A maioria coloca o chinelão e vai, no máximo, até a padaria da esquina. Ou viaja. Mas, se viaja, também coloca o chinelam – e aí, independentemente do destino, se praia, se interior, se exterior, também tem a padaria da esquina.

Mas quando chega o Natal, o Ano-Novo, esta junção gigantesca de feriadões, pronto: sossego é o que menos se vê. O ranzinza do Natal já sofre desde o fim de novembro, porque sabe que vai ter de encarar duas ceias cheias de parentes que ele não viu o ano todo – mas se não fossem essas datas, não veria a vida toda -, dois almoços com as sobras de tais ceias. Isso para não dizer do cardápio, repleto de excrescências como uvas passas no arroz e abacaxi na maionese.

Aqui cabem parênteses, aliás. Outro dia, li na timeline do Facebook uma possível explicação para essa mania de colocar frutas na comida nesta época do ano. Seria para deixar algo meio ruim e, com isso, fazer com que as pessoas comam menos.

Mas voltemos ao ranzinza do Natal. O sofrimento de quase um mês vai se agravando à medida que a caixa postal fica cheia de e-mails com “votos de Boas Festas”. Nem anti-spam resolve. E aí também surge a maior desgraça da vida corporativa: o amigo-secreto, com seu preço mínimo e a noite das revelações repleta de hipocrisias.

E a cidade se enfeita, luzinhas piscantes por todo lado, papais noéis aterrorizando crianças nos shoppings, aquela árvore gigante no Ibirapuera – desta vez, aliás, sem patrocínio – lembrando a todos que é possível, sim, criar do nada um polo gerador de trânsito.

O ranzinza do Natal tem vontade de não sair de casa. De nem ligar a televisão, para não correr o risco de, desafortunada e desavisadamente, ouvir a Simone cantando “Então É Natal!”.

Então, é Natal.

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