Nos hospitais, o Homem de Ferro de São Paulo
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Nos hospitais, o Homem de Ferro de São Paulo

Depois de se recuperar de grave acidente, desenhista encarna personagem das HQs

Edison Veiga

18 Abril 2015 | 16h00

Foto: Alex Silva/ Estadão

Foto: Alex Silva/ Estadão


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Nas HQs e nos cinemas – aliás, estreia nesta semana Vingadores: A Era de Ultron, com o personagem – o Homem de Ferro é Tony Stark, um playboy filantropo. Na vida real, em São Paulo, ele é Maxx Figueiredo, 41 anos, menos playboy mas também com vocação para a filantropia – no caso, encantar pacientes hospitalares com a magia de um super-herói.

Formado em Rádio e TV e com uma carreira consolidada como desenhista – atua em uma agência de publicidade –, Maxx costuma ser confundido com Tony Stark pela aparência física. “As pessoas brincam com essa semelhança e já aconteceu até de garçom de restaurante pedir para tirar foto comigo”, conta. Em 2007, tal e qual uma ironia do universo, ficção e realidade teimaram em se misturar.

Maxx sofreu um grave acidente de trânsito na Avenida Sumaré, zona oeste da cidade. Ele vinha de moto. Um carro o atingiu. Treze dias em coma. Três meses no hospital. E o sósia de Tony Stark perdeu a perna direita e teve 12 parafusos implantados no braço direito. “Não conseguia mais desenhar com a mão direita, então ainda no hospital passei a treinar com a esquerda – que é a que uso profissionalmente hoje”, diz.

Nesta mesma época, viu o casamento ruir. “Foram dois anos de depressão, só pensava em me matar”, recorda-se. Do hospital para casa, primeiro ficou de cama, depois foi para a cadeira de rodas e logo veio a decisão de usar uma perna mecânica. “Eu tinha de me robotizar. A tecnologia existe para que eu tenha uma vida normal”, relata. A adaptação, como é praxe nesses casos, exigiu muita paciência: é um processo lento, gradual e doloroso.

Com a prótese, desenhista se tornou ‘de ferro’

Com a prótese, Maxx percebeu que, além da aparência, tinha se tornado “um homem de ferro” de verdade. “Comecei a amadurecer um projeto, como se fosse um super-herói que tivesse o poder de fazer o bem”, explica ele. No fim do ano passado, graças a uma campanha em um site de crowdfunding, arrecadou R$ 6 mil e comprou uma armadura do Homem de Ferro.

Então começou a fazer visitas a instituições de saúde, como a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), a pediatria do Hospital das Clínicas (HC) e o Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer (Graac). Na história em quadrinhos que ilustra este post, feita especialmente ao Estado, o próprio Maxx conta, por meio de imagens, sua saga.

“O fato de eu ter sido paciente, de ter passado tanto tempo em um hospital, de ter enfrentado o processo de negação, de depressão e de aceitação, me coloca em uma situação muito próxima das pessoas que estão hospitalizadas”, comenta Maxx. “Só de olhar para um paciente, já sei em que estágio ele está no processo de recuperação.”

O desenhista está buscando se organizar para que as visitas a hospitais sejam mais assíduas. Pensa em institucionalizar a ideia, fazer de super-heróis em hospital algo tão organizado quanto já são os palhaços de hospital – para citar o bem-sucedido caso dos Doutores da Alegria. “O personagem tem o poder de tirar a pessoa do estado de tristeza, transformando o paciente em alguém mais feliz. Sem dúvida, isso ajuda na recuperação”, acredita. “E, de repente, outros super-heróis também podem aparecer, não é? Podemos usar os traumas e as dores como uma mola propulsora para fazer o bem.”

Imagem: Maxx Figueiredo

Imagem: Maxx Figueiredo