Não foi acidente, presidente!
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Não foi acidente, presidente!

OPINIÃO

Edison Veiga

05 Janeiro 2017 | 13h26

Foram dias de um silêncio estranho a qualquer comandante de qualquer país, considerando o tamanho da tragédia. Hoje veio o comentário do presidente Michel Temer. “Acidente pavoroso” foi a expressão utilizada por ele para definir o maior massacre ocorrido no sistema prisional brasileiro desde o Carandiru, em 1992.

Não foi acidente, presidente. Não é preciso ser nenhum especialista em segurança para entender que o que aconteceu em Manaus é consequência de décadas – séculos, talvez – de políticas públicas que seguem uma mentalidade semelhante a de seu ministro da Justiça, Alexandre Moraes. Para ele, o tráfico de drogas se combate com as vãs tentativas de erradicação do comércio e do uso das mesmas – e não com a legalização e, consequentemente, a regulamentação e o controle. Para ele, a solução para a criminalidade é investir em penitenciárias, construir mais delas.

São ideias na contramão do mundo. Países – e, no caso dos Estados Unidos, unidades da federação – que preferiram legalizar as drogas não só vêm reduzindo a criminalidade como também estão lucrando com impostos advindos desse comércio. Países que investem em educação, por outro lado, estão fechando presídios.

O massacre de Manaus é resultado da somatória desses contextos. No cerne da rebelião estava a disputa de duas facções pelo controle do tráfico de drogas. O cerne da rebelião foi em uma penitenciária superlotada.

Não foi acidente, presidente.

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