Na cracolândia, Kobra começa a ‘mostrar’ SP
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Na cracolândia, Kobra começa a ‘mostrar’ SP

Em série de dez intervenções em dez dias, artista plástico pretende dar um panorama da realidade paulistana

Edison Veiga

14 Julho 2015 | 00h01

Eduardo Kobra, artista de rua

Foto: Alex Silva/ Estadão


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Dez intervenções artísticas em dez dias. Eis o resumo de São Paulo: Uma Realidade Aumentada, novo projeto do artista plástico Eduardo Kobra. A partir das 10 horas de hoje, na calçada da Rua Helvétia, altura do número 64, no bairro de Campos Elíseos, região conhecida como cracolândia, ele inicia a série com a qual pretende “mostrar questões da cidade como se utilizasse uma lupa” – no caso, a lente é sua arte.

Autor de mais de 40 murais em São Paulo – e dezenas de outros espalhados por cidades mundo afora –, Kobra pretende inovar com esse projeto. Primeiro, porque vai escancarar a realidade de São Paulo – começando já pela cracolândia. “A ideia é ampliar o foco para essas questões, mostrar que os problemas podem ser revertidos”, afirma o artista.

Além disso, a série traz um elemento muito caro aos dias de hoje: a interatividade. O endereço da obra seguinte, por exemplo, só será divulgado na véspera (pelas redes sociais do artista, o Instagram @ e o Facebook). Transeuntes serão incentivados a colaborar nas criações, seja palpitando, seja colocando a mão na massa – ou melhor, no spray.

“Estou amadurecendo essa ideia há quase dois anos. Envolve uma logística complicada, porque a minha ideia era fazer dez obras em dez dias e em pontos diferentes de São Paula”, relata Kobra. Sem patrocínio, a logística envolve o trabalho de uma equipe de dez pessoas, além do próprio artista. Se chover em algum dia, a ação prevista terá de ser adiada para a data seguinte.

Para hoje, na cracolândia, Kobra vai expor nove de suas telas mais conhecidas – as mesmas que recentemente integraram exibição em Roma. São releituras de personalidades que “contribuíram para um mundo melhor”, como John Lennon, Malala, Albert Einstein e Nelson Mandela.

Eduardo Kobra e quadro de John Lennon

Foto: Alex Silva/ Estadão

Além delas, haverá também duas telas em branco – em uma, o artista fará uma pintura às vistas do público; em outra, dependentes químicos da região e eventuais transeuntes poderão criar, sob supervisão e orientação de Kobra. Em seguida, de forma coletiva, eles vão produzir uma obra em um muro já pré-selecionado no local.

Beneficência. Uma das telas será leiloada em benefício ao programa De Braços Abertos, implementado há mais de um ano pela Prefeitura para tentar recuperar os usuários de crack que vivem na região. O pregão será realizado online, pela Galeria Victor Hugo, no dia 27.

A participação de dependentes químicos foi uma premissa do projeto, segundo Kobra. “Em minha equipe tenho um ex-usuário de crack”, conta ele. “Acredito que a arte pode apresentar um novo caminho para essas pessoas.”

Tal roteiro não será o mesmo nos dias seguintes. “Estou planejando vários tipos de intervenções, algumas com formatos variados”, despista Kobra. Em comum, apenas essa possibilidade de interação com o público. E, claro, o viés provocativo. “Em geral, minha obra sempre exalta a beleza”, comenta o artista plástico. “Desta vez, faço uma série com um convite à reflexão.”

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