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Artista prova que a vida brota até no Minhocão

Laura Lydia catalogou 1,5 mil plantinhas no Elevado Costa e Silva; neste domingo, ela guia expedição no local

Edison Veiga

10 Abril 2015 | 22h01

Foto: Vitor Barão/ Divulgação

Foto: Vitor Barão/ Divulgação


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Ela decidiu provar que a vida brota onde menos se espera. Escolheu um dos maiores símbolos do concreto selvagem de São Paulo: o Elevado Costa e Silva, cicatriz urbana de 3,4 km inaugurada em 1971, rebatizada popularmente de Minhocão e por onde trafegam 70 mil carros por dia.

Entre os meses de janeiro e fevereiro, a artista Laura Lydia passou oito domingos ali, das 6h30 às 20h, parando apenas para almoçar. Ao contrário das pessoas que aproveitavam a pista elevada para o lazer – já que a mesma fecha para o trânsito aos domingos, transformando-se em um “parque” –, ela procurava ervas daninhas. Aqueles matinhos que, meio que do nada, nascem nas rachaduras das construções, lembrando-nos, se pararmos para pensar, que a natureza tem fortes arroubos de coragem.

Ela encontrou 40 espécies diferentes

Aqui, no terceiro parágrafo, o leitor mais sagaz já deve estar pensando que as expedições de Laura resultaram infrutíferas, que no máximo ela achou uma meia dúzia de brotinhos mirrados, afinal o Minhocão não é conhecido pela salubridade ambiental. Engana-se. Foram cerca de 1,5 mil ervas daninhas. Quarenta espécies diferentes.

Laura mapeou as plantinhas, fotografou, desenhou cada uma delas. “Mas as deixei ali onde estavam, a ideia era interferir o mínimo possível”, garante ela. Encontrou beldroega, carrapicho, ipê-de-jardim, grama-forquilha, brilhantina e até uma mudinha de jacarandá. “Uma que me chamou muito a atenção foi a mentinha. Ela é minúscula e tem uma florzinha roxa muito bonitinha”, comenta. “Achei de uma sutileza incrível. E ela aparece muitas vezes no Minhocão.”

Foto: Vitor Barão/ Estadão

Foto: Vitor Barão/ Estadão

Laura é espanhola de nascimento e atualmente mora no Rio. Ela viveu em São Paulo por seis anos, até 2013. E foi quando o Elevado passou a fazer parte de seu repertório. “Morei na Avenida São Luís e depois no bairro de Perdizes. O Minhocão acabava sempre parte de meus trajetos”, conta. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-graduação em Linguagens da Arte, começou a transformar ervas daninhas em arte em 2010, fazendo trabalho semelhante em diversos pontos de São Paulo.

Em suas recentes expedições pelo Minhocão, contou com a parceria do biólogo e fotógrafo Vitor Barão – autor das imagens deste post –, do videomaker Christian Caselli, da artista visual Isadora Ferraz e do editor de vídeo Caio Dias. Neste domingo, 12, ela vai fazer um repeteco dessa busca por verde no meio do cinza. Desta vez, com a participação do público. A ideia é mostrar à população os resultados do mapeamento realizado. Também será projetado um vídeo artístico do projeto. O público ainda receberá, de graça, um catálogo de todas as ervas encontradas, com informações científicas, desenhos e fotos.

Serviço
Oficina e Expedição pelo Minhocão.
Domingo, dia 12. A partir das 15h.
Informações e inscrições pelo site: www.ervassp.com