Marquesa de Santos bancou primeira capela do Cemitério da Consolação
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Marquesa de Santos bancou primeira capela do Cemitério da Consolação

Adornos do seu túmulo foram feitos por marmorista do Rio

Edison Veiga

30 Junho 2015 | 07h07

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão



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No imaginário paulistano, não faltam histórias (muitas verdadeiras, muitas outras falsas) da Marquesa de Santos. Entre as mais famosas há aquela que diz que Domitila de Castro Canto e Mello (1797-1867) foi a doadora do terreno que deu origem ao Cemitério da Consolação – e que seria, portanto, a “ocupante” da sepultura de número 1. Trata-se de lenda, desmentida pelo historiador e arquiteto Paulo Rezzutti em seu livro ‘Domitila: a Verdadeira História da Marquesa de Santos’. “Ao se estudar as Atas da Câmara, é possível concluir que uma parte das terras onde o cemitério foi construído era pública e o restante pertencia a Marciano Pires de Oliveira, que tinha uma chácara no local”, explica ele, a despeito da plaquetinha no próprio túmulo da Marquesa que a aponta como a doadora da área.

“O que acontece é que ela doou dinheiro para a construção da antiga capela do cemitério”, afirma o historiador. “E, ainda em vida, comprou três sepulturas perpétuas, uma ao lado da outra, todas na Rua 1 (são as de número 3, 4 e 5)”. Das três, a única ornamentada é a da Marquesa de Santos. E ali, uma outra pequena descoberta de Paulo Rezzutti: todo o acabamento do túmulo foi trazido à época da morte de Domitila, do Rio de Janeiro, então capital do País. “Há uma pequena inscrição, atrás, que entrega essa história. Diz ‘JM Pomar – Rua da Ajuda, 37’”, revela ele. João Manoel Pomar era um marmorista do Rio que, conforme o pesquisador apurou, atuou nesse endereço entre 1864 e 1877. Os adornos da “última morada” da Marques são, portanto, um registro do poderio dela.

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão