Lágrimas por Saint Martin
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Lágrimas por Saint Martin

CRÔNICA

Edison Veiga

07 Setembro 2017 | 18h55

Julho de 2011. Último dia de férias. Depois de passar uma inesquecível semana no Club Orient, paraíso situado na singular ilha de Saint Martin, reservamos algumas horas para, antes do voo de volta ao Brasil, tomar umas cervejas na Praia Maho. Conhecida justamente por causa da localização: colada ao Aeroporto Internacional Princesa Juliana, propicia aos banhistas a incrível experiência de sentir o vento das turbinas dos aviões que lá pousam.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Desde que chegaram as primeiras notícias do devastador furacão Irma é difícil não pensar em Saint Martin. Viajar tem disso: na bagagem, sempre trazemos uma carga afetiva por outros lugares. Viajar é o melhor jeito de sentirmo-nos irmanados. Essa coisa chamada humanidade.

Então que acompanhamos, via Facebook, os preparativos dos funcionários do Club Orient para enfrentar o pior. “As Category 5 Hurricane Irma closes in on St. Martin, our dedicated maintenance staff has been working tirelessly since sunup to help prepare for the storm and protect the resort we all love! All boats have been brought in, palm trees are trimmed, coconuts removed, and all vulnerable areas have been boarded up, tied down and/or sandbagged”, eles escreveram em post datado de terça-feira, 5. “St. Martin is cutting off utilities this afternoon and a mandatory curfew will go into effect. Keep those thoughts and prayers coming – they are much needed and appreciated! We will keep you updated as much as possible in the coming hours and days.”


Hoje o amigo uruguaio Dario Queirolo, em seu Pasaporte News, cravou: o famoso aeroporto de Saint Martin está destruído. Completamente.

Foto: Reuters

Club Orient não postou mais nada. Só posso torcer e rezar para que todos estejam bem. Tragédias naturais – ao contrário das provocadas por desmandos políticos, como as que costumam acontecer aqui no Brasil – têm o colateral efeito de nos deixar absolutamente impotentes. Afinal, não há nem quem culpar.

Quando Irma terminar seus estragos – esperamos que com o menor saldo de mortes possível -, vai começar a reconstrução dos lugares afetados. Espero um dia voltar a Saint Martin. Espero um dia reencontrar Saint Martin tão bonita e alegre quanto antes, como na foto abaixo, de 2011. Que eles mantenham inclusive a fonte tipográfica festiva dos carimbos de passaporte. Que eles continuem sendo um cantinho precioso do planeta Terra, planetinha este cuja natureza também tem seus rompantes de raiva.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

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