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Gràcia Bar: da ignorância ao desrespeito ao cidadão e à lei

Edison Veiga

05 Maio 2014 | 00h01

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No começo, achei que era ignorância. E tentei ajudar.

Explico: moro em Pinheiros, mesmo bairro do Gràcia Bar – descolada casa com temática e cardápio inspirados na cultura catalã. Já estive lá umas duas ou três vezes como cliente, comi umas tapas, bebi alguma coisa.

Como moro perto, é muito comum passar em frente ao bar a pé. Gosto de andar a pé pelo meu bairro, aliás. Mas – e aqui falo muito mais como cidadão do que como jornalista, se bem que considero impossível a segunda roupa excluir a primeira –, nessas andanças fico bastante incomodado quando vejo atitudes desrespeitosas ao convívio social e às leis. Se queremos uma cidade melhor, precisamos fazer a nossa parte. Penso que isso é cidadania.

No caso do Gràcia, os erros estão do lado de fora. O bar se apropriou das calçadas de tal maneira que é difícil passar por ali sendo pedestre comum – e impossível sendo um cadeirante ou empurrando um carrinho de bebê, para ficar apenas em dois exemplos corriqueiros.

No começo, repito, achei que era ignorância. E, desde janeiro, sempre que por ali passo procuro advertir um funcionário. “Olha, isso está errado. Primeiro porque atrapalha as pessoas, e só por isso já é errado. Depois, há uma lei regulamentando isso. E essa lei diz que os estabelecimentos que colocam suas mesinhas e cadeiras nas calçadas precisam reservar pelo menos 1,20 m para que os transeuntes passem.”

Sempre encarei como algo bacana esse clima boêmio de cadeiras e mesas nas calçadas. É algo que gostamos de ver, ilustra um jeito divertido e leve de apropriação urbana. Mas não podemos nos esquecer que a função primária das calçadas é o ir e vir das pessoas. E também são pessoas aqueles que têm alguma dificuldade de locomoção.

Depois de advertir os funcionários ao menos umas dez vezes nos últimos quatro meses, depois de ouvir comentários debochados desses funcionários no último sábado, enfim, depois de tudo isso, cansei de pensar que o Gràcia Bar bloqueia as calçadas por ignorância.

Infelizmente, como cidadão, sou obrigado a acreditar que a empresa age assim por princípio. Ao que parece, o Gràcia Bar é inimigo dos cadeirantes, das mães e pais que empurram carrinhos de bebê, daqueles que precisam carregar a compra do mês num carrinho de feira, de qualquer um que apresente alguma dificuldade de locomoção. E já que a empresa tem esse princípio, faço também, por princípio, a minha parte: jamais voltarei a comer ou beber algo nesse lugar.

Atualização
Nesta segunda, 5, às 18h50, recebo o seguinte e-mail da assessoria de imprensa do Gràcia Bar (reproduzo na íntegra, ipsis litteris):

“Primeiramente, gostaríamos de nos desculpar pela atitude dos nossos funcionários. Trata-se de uma nova equipe de gerência a qual, infelizmente, houve falha de comunicação e não fez jus a política interna da casa que sempre preza pelo bem estar da comunidade local, dentro dos princípios de cidadania, moralidade e acessibilidade de todos. O Gràcia Bar já está resolvendo esta questão para que não ocorra novamente.

Quanto à questão da calçada, o Gràcia Bar tem a autorização da Prefeitura de São Paulo para colocar mesas e bancos na sua área externa e, conforme a lei, sempre seguiu o padrão de 1,20m livres. Porém, recentemente, foi feita uma reforma na rua onde novos postes foram instalados e, por falta de instrução com a nova brigada, eles não se atentaram em seguir a regra pré-estabelecida.

Dentro deste novo cenário, a casa já realizou a mudança e tomou as providências necessárias, criando uma nova estrutura com recuo dos bancos e mesas próximos a área dos postes, exatamente para que não haja incômodo aos transeuntes da região e nem equívocos com a prefeitura, respeitando as leis e o convívio social, muito prezados pela casa.

Em quatro anos de casa, o Gràcia nunca teve este tipo de problema, por isso pede desculpas e garante que irá se retratar em prol da cidadania e acessibilidade de todos que por ali passam, até porque contam com sócio e amigos com necessidade de acessibilidade especial. Além de agradecer a fiscalização da própria comunidade, visando o bem estar da região.

Gràcia Bar”