Família de Mario Zan cuida dos túmulos da Marquesa de Santos
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Família de Mario Zan cuida dos túmulos da Marquesa de Santos

Filha e viúva do músico receberam com alegria a notícia de que há uma filha de d. Pedro sepultada ali

Edison Veiga

01 Julho 2015 | 07h18

Foto: Reprodução

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Responsável desde o início dos anos 1980 por cuidar dos três túmulos da família de Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos, no Cemitério da Consolação, a família do músico Mario Zan (1920-2006) recebeu com alegria a notícia de que uma filha de d. Pedro I foi sepultada ali. Elas foram avisadas por e-mail pelo historiador e arquiteto Paulo Rezzutti, autor da descoberta publicada com exclusividade pelo Estado no último fim de semana.

“Nada mais justo de que ela seja identificada no túmulo. Iremos conversar com o pesquisador e veremos a melhor maneira para colocarmos uma plaquinha lá, sem dúvida”, afirmou, ao Estado, a cantora Mariangela Zan, 35 anos, filha do músico e responsável por repassar, mensalmente, parte do que chega em nome de Zan do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), por conta dos direitos autorais de suas canções, para a manutenção dos três jazigos históricos. Na foto acima, Mariangela aparece ao lado do pai.

A família cuida das sepulturas em cumprimento a uma promessa feita pelo músico e por sua mulher, Aglais Lopes, hoje com 71 anos. Quando a filha Mariangela nasceu, em 1980, ela acabou ficando internada por conta de um problema de saúde que nunca foi diagnosticado pelos médicos. Nesse momento de desespero, Zan e a mulher foram até o cemitério e se detiveram em frente à sepultura da Marquesa. Pediram pela saúde do bebê que, três dias depois se recuperou. Desde então, incumbiram-se de zelar pelo túmulo – que, àquela época, estava bastante mal-cuidado.

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

“Mario Zan, sem vínculo com religião nenhuma, considerava Domitila uma protetora do plano espiritual, para si e sua família. Além da recuperação da filha, Zan afirmava ter recebido diversas outras graças, incluindo um tereno no próprio cemitério, onde foi enterrado depois de sua morte, em 2006, aos 86 anos de idade”, relata Paulo Rezzuti, no livro ‘Domitila: a Verdadeira História da Marquesa de Santos’.

Descoberta. Conforme o Estado publicou, quase 120 anos depois do enterro, o pesquisador Paulo Rezzutti descobriu que uma filha de d. Pedro I, aquele que declarou o Brasil independente de Portugal, foi sepultada no Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. Trata-se de Maria Isabel de Alcântara Bourbon, a Condessa de Iguaçu, última dos cinco filhos que o imperador teve com sua mais famosa amante, Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos.

Tanto o endereço da sepultura quanto o local da morte de Maria Isabel não eram consenso entre pesquisadores – ela passou a vida entre São Paulo e Rio, então eram fortes as suspeitas de que teria sido enterrada em algum cemitério carioca; e já houve quem afirmasse até que ela teria morrido na mineira Ouro Preto. Para passar a limpo este fragmento da História do Brasil, o arquiteto e historiador Paulo Rezzutti, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ficou um ano percorrendo cemitérios, arquivos públicos e cartórios do Rio e de São Paulo. A informação deve constar de seu novo livro, a biografia de d. Pedro (‘Pedro: A História Não Contada’, cujo lançamento, pela editora Casa da Palavra, está previsto para ocorrer ainda em 2015).