Espaços culturais de SP estão concentrados no centro e na zona oeste
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Espaços culturais de SP estão concentrados no centro e na zona oeste

Nos últimos quatro anos, número de equipamentos culturais saltou de 50 para 115, de acordo com levantamento da SPTuris

Edison Veiga

25 Julho 2015 | 00h01

Foto: Werther Santana/ Estadão

Foto: Werther Santana/ Estadão


_____________________
Paulistices no Facebook: curta!
E também no Twitter: siga!
_____________________

Mais da metade dos centros culturais de São Paulo está concentrada na zona oeste e centro da cidade – a região menos favorecida é a zona norte, com apenas 10 dos 115 equipamentos do tipo. Os dados, obtidos com exclusividade pelo Estado, são de levantamento realizado pelo Observatório de Turismo e Eventos, núcleo de estudos e pesquisas da SPTuris, empresa de turismo e eventos de São Paulo.

A pesquisa revela ainda que houve um aumento grande de espaços culturais na cidade nos últimos anos. “Nossa última listagem, de quatro anos atrás, trazia apenas 50 instituições. Ou seja: no período, a relação mais que dobrou”, conta Fábio Montanheiro, coordenador do Observatório de Turismo e Eventos. “Este levantamento é o primeiro passo para que, agora, possamos iniciar um estudo qualitativo desses locais.”

Foram considerados cinco tipos de equipamentos culturais, entre públicos e privados. Acabaram classificados como centros culturais aqueles de porte maior, com acervos e estruturas permanentes, como a municipal Praça das Artes, no centro, e o privado Instituto Tomie Ohtake (foto acima), em Pinheiros, zona oeste. Já as instituições de pequeno porte, em geral situadas em regiões periféricas da cidade e voltadas à uma modalidade específica, foram chamadas de Casas de Cultura – são exemplos a Salvador Ligabue, na Freguesia do Ó, zona norte, e a Tendal da Lapa, na zona oeste, ambas administradas por suas respectivas subprefeituras.

À parte, ainda foram listadas as 13 unidades do Serviço Social do Comércio (Sesc) – espalhadas por todas as regiões de São Paulo (na foto abaixo, o Sesc Pompeia) –, as 10 Fábricas de Cultura e sete unidades das Oficinas Culturais – ambos programas multitemáticos da Secretaria de Estado da Cultura.

Foto: Werther Santana/ Estadão

Foto: Werther Santana/ Estadão

Regiões. O secretário estadual de Cultura, Marcelo Mattos Araujo, explica que o programa Fábricas de Cultura foi criado justamente após a constatação de que os equipamentos culturais estavam longe da periferia. “Sabemos que, por razões históricas, os centros culturais estão no centro expandido”, comenta ele. “Acredito que este seja um dos maiores desafios para os gestores culturais.”

“Obviamente, a concentração é maior nas regiões de renda mais alta. Porque os equipamentos públicos mais antigos, historicamente, foram implantados no ‘primeiro anel’ da cidade. E os privados são mantidos, em geral, por empresas que querem visibilidade da marca junto ao público dessas áreas”, avalia o secretário municipal de Cultura, Nabil Georges Bonduki. Ele adianta que essa preocupação deve constar do Plano Municipal de Cultura, em fase de estudos. “A médio prazo, esperamos ter pelo menos um grande centro cultural em cada uma das regiões da cidade”, vislumbra.

No caso do Sesc, estar espalhado por todas as regiões faz parte da proposta institucional. “É uma intenção política”, afirma o diretor da entidade, Danilo Santos de Miranda. “Na cidade de São Paulo ainda nos falta, e estamos andando nessa direção, uma unidade no extremo da zona oeste e outra no extremo da zona leste.”

A SPTuris decidiu olhar mais a fundo a oferta cultural permanente de São Paulo depois de notar que os atrativos da área têm atraído turistas. “Mesmo os que vêm a negócios acabam procurando por programações culturais”, relata Montanheiro. Ele acredita que a maior concentração dos equipamentos nas regiões oeste e central se justifica pelo próprio fluxo da cidade. “Nossa avaliação primária é que essas instituições estão próximas das grandes empresas, dos locais de maior movimento das pessoas”, resume. A partir de agora, o Observatório pretende fazer da lista um objeto de atualização permanente.