“Conpresp é inoperante e destinado à extinção”, diz professor da USP sobre o Parque Augusta
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“Conpresp é inoperante e destinado à extinção”, diz professor da USP sobre o Parque Augusta

Em artigo, o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo lamenta o fato de o órgão responsável pela proteção do patrimônio paulistano ter cedido ao mercado imobiliário

Edison Veiga

30 Janeiro 2015 | 13h39

testeirapqaugusta

FOTO: ALEX SILVA/ ESTADÃO

FOTO: ALEX SILVA/ ESTADÃO


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Por Benedito Lima de Toledo*

É estarrecedora a notícia publicada pelo Estado sobre o Parque Augusta. Inicialmente, pela conclusão de que o Conpresp é um órgão inoperante e, por tal razão, destinado à sua extinção. Os 25 mil metros quadrados do terreno da Rua Augusta entre Caio Prado e Marquês de Paranaguá têm condições excepcionais de serem preservados como reserva verde nesta cidade em que a população luta por cada metro quadrado passível de se transformar em área destinada ao convívio de moradores de todas faixas etárias. (Aqui é inevitável a lembrança das áreas verdes parisienses. Afinal, civilidade e urbanidade não se improvisam). As áreas foram liberadas à incansável especulação imobiliária, com o cuidado de preservar “700 árvores nativas da Mata Atlântica”!

Eufemismo para o qual os urbanistas americanos reservam a expressão “put the frost in the cake”, o que em português poderia ser entendido como “enfeitar o bolo”. Confundir árvores nativas, que lá estão em seu habitat, com “espécies nativas” é recurso a ser explicado. Esse terreno tem história no urbanismo paulistano. Foi ocupado pelo Colégio das Cônegas de Santo Agostinho mais conhecido como Colégio Des Oiseaux, conceituado pela excelente formação dada às suas alunas, dentro do princípio de que “as famílias educam e as escolas formam”.

A população paulistana não é constituída por cidadãos ingênuos e apáticos capazes de engolir frases esdrúxulas tais como “foi por causa da ‘comoção popular’ que o órgão determinou, como contrapartida, que o espaço – que preserva 700 árvores nativas da Mata Atlântica – seja, apesar de propriedade privada, aberto ao público em geral”. A decisão, como se constata, não foi fundamentada em qualquer critério urbanístico. Foi a “comoção”, eufemismo para business. Esse critério pode colocar em risco todas as áreas verdes da cidade. Nesse quadro, a defasagem do conselho de defesa não surpreenderá os paulistanos.

* O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo é professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), membro do Conselho Internacional para Monumentos e Sítios (Icomos, na sigla em inglês), órgão ligado à Unesco, e ex-conselheiro do Condephaat, órgão estadual de proteção ao patrimônio.