Haddad libera skate, patins e cadeira de rodas nas ciclovias
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Haddad libera skate, patins e cadeira de rodas nas ciclovias

Decisão do governo tenta também dar volume de uso para as vias exclusivas, que ainda seguem vazias nos dias de semana

Diego Zanchetta

16 Dezembro 2014 | 09h57

Atualizada às 20h34

COM CAIO DO VALLE e PAULA FELIX

SÃO PAULO – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), publicou decreto nesta terça-feira, 16, que autoriza a circulação de skate, patins, patinete, triciclo, quadriciclo, cadeiras de rodas e bicicletas elétricas nas ciclovias e ciclofaixas. A decisão ocorre seis meses após o governo massificar a implementação das vias para ciclistas.

Todos esses equipamentos também poderão rodar pelas ciclovias e ciclofaixas mesmo que movidos a energia elétrica, desde que não sejam “equiparados a ciclomotor” e “desempenhem velocidades compatíveis com a via, a segurança e o conforto dos demais usuários”. Segundo o decreto, os órgãos municipais de trânsito, como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), “poderão restringir a circulação de veículos e equipamentos em vias e trechos específicos, desde que devidamente sinalizados”.

A reportagem do Estado apurou que a decisão do governo tenta também dar volume de uso para as ciclovias, que ainda seguem vazias durante a semana. É somente nos sábados e domingos que as faixas têm registrado público maior.

O prefeito também facilita a circulação de pessoas com deficiência, usuárias de cadeiras de rodas, nas ciclovias. A liberação para os skatistas atende a um pedido feito pelos praticantes da modalidade – o skate é o segundo esporte mais praticado na capital, atrás apenas do futsal.

A determinação foi bem recebida por cicloativistas e representantes dos skatistas na capital. Diretor de participação da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Daniel Guth diz que a inclusão de outros meios de transporte nas ciclovias é importante para a cidade. “Muitas vezes, as pessoas tendem a criar um certo atrito entre ciclistas e skatistas, mas o que há são pessoas promovendo saúde.” Guth criticou apenas o fato de carroceiros não terem sido incluídos. “Eles estão utilizando as ciclovias, especialmente na região central, e não há nenhum projeto de inclusão no sistema.”

O presidente da Federação Paulista de Skate, Roberto Herondino Maçaneiro, concordou com a proposta, mas disse que é necessário garantir a segurança. “É boa decisão, desde que sejam respeitadas as normas de convivência. Temos poucos espaços com equipamentos específicos para skate e são mais de 500 mil praticantes.”

Elogio. Em tratamento para recuperar o movimento das pernas, o auxiliar de cozinha Bruno Breni dos Santos, de 21 anos, sofreu um acidente de moto e usa cadeira de rodas há um ano. Ele já é adepto das ciclovias. “Fica melhor para se locomover, porque as calçadas não são adaptadas e têm muitos buracos.”

A jogadora de basquete Vilma Miranda, de 47 anos, é cadeirante desde os 20, quando foi vítima de uma bala perdida, e também é a favor da utilização das vias para bicicletas por pessoas em cadeiras de rodas. “A convivência é possível, já fui várias vezes para ciclovias em praias e nunca aconteceu nada. Dá para conviver em paz.”

Skatistas e praticantes de patins poderão andar nas ciclovias e ciclofaixas da capital paulista (fotos: Nilton Fukuda e Tiago Queiroz/Estadão)

Skatistas e usuários de patins poderão circular pelas ciclovias da capital paulista, que somam atualmente 204 km (fotos: Nilton Fukuda/Estadão e Tiago Queiroz/Estadão)