Haddad chama Padilha para Relações Governamentais
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Haddad chama Padilha para Relações Governamentais

Diego Zanchetta

21 Janeiro 2015 | 14h58

Atualizada às 18h29

COM BRUNO RIBEIRO, PEDRO VENCESLAU e VALMAR HUPSEL FILHO

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, de 43 anos, aceitou o convite do prefeito Fernando Haddad (PT) para assumir a Secretaria Municipal de Relações Governamentais. Os dois têm uma reunião marcada para a manhã desta quinta-feira, 22. Com o aval de Luiz Inácio Lula da Silva, Padilha ocupará o lugar de Paulo Frateschi, de 64 anos, também indicado ao cargo pelo grupo político do ex-presidente.

Padilha havia recebido o convite do secretário de Governo, Chico Macena, que também ofereceu a possibilidade de o ex-ministro assumir a Saúde ou a Coordenação das Subprefeituras. Padilha também tem sido pressionado pelo próprio partido a aceitar o convite. Antes reticente em compor o governo, o ex-ministro já fala agora em “ajudar Haddad nas mudanças que ele vem fazendo.”

Padilha ainda está “magoado”, segundo assessores próximos, com a falta de empenho da gestão Haddad em sua campanha ao governo estadual. E, por isso, não havia decidido se aceitaria o convite. Ele já havia adiantado que não aceitaria “de forma alguma” a Secretaria Municipal de Saúde, ocupada pelo seu amigo e aliado José di Filippi Júnior.

Interlocutores do PT estão fazendo “as tratativas finais entre o partido e o prefeito” para Padilha ir ao governo. A ideia dos petistas é mantê-lo em evidência, para que ele se mantenha como opção para 2018 – seja no Senado ou no governo.

Padilha vai exercer no governo municipal função semelhante à que ocupou no segundo mandato do governo Lula, como ministro de Relações Institucionais. O ex-ministro terá a tarefa de melhorar a conflituosa relação entre Haddad e sua base governista na Câmara Municipal.

Procurado no início da tarde, Padilha informou que não tinha convite oficial do próprio prefeito. “Mas estou à disposição para ajudar o prefeito Haddad nas mudanças que ele vem fazendo em São Paulo”, informou a assessoria do ex-ministro. Como secretário, Padilha vai receber R$ 19,2 mil mensais.

Na semana passada, ele havia declarado que não aceitaria ocupar funções na gestão Haddad e que se dedicaria às atividades do partido. Mas quem tem feito o trabalho de convencer Padilha a entrar para a Prefeitura é o ex-presidente Lula.

Lula tem citado ao ex-ministro as possibilidades de “fazer política” na pasta de Relações Governamentais, onde será o responsável por intermediar a relação do prefeito com os 55 vereadores. Caberá também a Padilha executar as obras previstas com emendas de parlamentares – cada vereador tem direito a indicar R$ 3 milhões em obras por ano em seus redutos eleitorais.

Para executar essas obras, Padilha terá contato direto com movimentos sociais de bairros da periferia, o que poderá lhe render “estofo político”, segundo interlocutores de Lula que têm tentado convencer Padilha a aceitar o convite.

Hoje também o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) foi oficializado como novo secretário de Direitos Humanos, no lugar de Rogério Sotilli.

 

padilha

O ex-ministro Alexandre Padilha, em sabatina no Estadão em 2014: pressão do partido para assumir cargo na gestão Haddad

 

AS NOVAS CARAS DA GESTÃO HADDAD

Gabriel Chalita – Educação
Indicado pelo PMDB, foi nomeado para a pasta mais importante da Prefeitura

Eduardo Suplicy – Direitos Humanos
Recebeu convite para dar “grife” a uma pasta ainda de pouca projeção dentro do governo

Robson Barreirinhas – Negócios Jurídicos
Sai da Procuradoria-Geral do Município e assume a pasta por indicação de seu antecessor, Luís Carlos Massonetto, amigo pessoal do prefeito

Marco Aurélio Cunha – Turismo
O vereador do PSD, ligado ao São Paulo Futebol Clube, foi convidado pelo próprio prefeito. Assume no lugar de Wilson Poit

Nabil Bonduki – Cultura
O arquiteto e urbanista do PT, com mandato de vereador, assume no lugar do também petista Juca Ferreira, nomeado ministro da Cultura

Alexandre Padilha – Relações Institucionais
Candidato derrotado ao governo estadual, o ex-ministro da Saúde será acomodado na pasta responsável por intermediar as relações políticas do prefeito

 

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