Dona de R$ 3,9 bilhões em terras, construtora não diz se vai pedir reintegração em Itaquera
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Dona de R$ 3,9 bilhões em terras, construtora não diz se vai pedir reintegração em Itaquera

Diego Zanchetta

06 Maio 2014 | 18h37

Dona de um banco de terrenos com valor estimado em R$ 3,9 bilhões, a Viver Empreendimentos (antiga Construtora Inpar) ainda não pediu na Justiça a reintegração de posse do terreno onde está a ocupação Copa do Povo, em Itaquera, na zona leste de São Paulo. A empresa, em nota oficial, confirma ser a dona da área de 155 mil metros quadrados, onde foram erguidos cerca de 2.500 barracos desde sábado, e diz que “vai tomar as medidas cabíveis.” A Viver também diz não ter dívidas de impostos com a Prefeitura.

Conforme consta em seu balanço divulgado na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) no dia 31 de dezembro de 2013, a Viver Empreendimentos tem terrenos em todo o Brasil, cujo valor total chega a quase R$ 4 bilhões. Mas, com dezenas de empreendimentos da antiga Inpar com entrega atrasada desde 2012, a empresa teve prejuízo de R$ 52 milhões no ano passado. A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) estuda comprar a área e construir conjuntos habitacionais para as famílias que estão nos barracos.

Organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), a Copa do Povo está no terreno da Viver, localizado a cerca de 4 quilômetros da Arena Corinthians, onde no dia 12 de junho será realizada a partida de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia. Desde janeiro, a iminência do evento fez explodir o preço dos aluguéis em Itaquera – o preço cobrado por um imóvel de quatro cômodos saltou de R$ 250, em média, para R$ 600.

Muitas famílias que invadiram o terreno na Rua Malmequer Cardoso dizem não ter mais como pagar esses preços cobrados nos bairros perto do futuro estádio corintiano, como na Gleba do Pêssego e no Jardim Helian. Elas vão pressionar agora a Câmara Municipal a incluir, durante a segunda votação do Plano Diretor, uma emenda que garanta a desapropriação do terreno e a construção de conjuntos do programa Minha Casa Minha Vida no local.

Mas, na avaliação de técnicos do governo, a construtora, por estar enfrentando dificuldades financeiras, deve agora pedir a reintegração de posse, na tentativa de forçar a desapropriação pelo governo, que compraria a área. Se for levado em conta que o preço médio do metro quadrado em Itaquera é de R$ 3.800, o valor do terreno pode chegar a R$ 589 milhões – valor que representa quase 10% de tudo o que a Prefeitura tem para fazer em novos investimentos durante o ano de 2014.

 

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