Com substitutivo de 500 páginas, PSD de Kassab trava votação do Plano Diretor
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Com substitutivo de 500 páginas, PSD de Kassab trava votação do Plano Diretor

Diego Zanchetta

30 Abril 2014 | 10h54

A sessão reaberta às 10h15 na Câmara Municipal de São Paulo começou tensa e mais uma vez sem acordo entre os líderes para a votação do novo Plano Diretor. Sem abrir mão da leitura de um projeto substitutivo de 500 páginas, o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) barrou o andamento dos trabalhos dos vereadores. Do lado de fora e nas galerias do plenário, o clima também é tenso. Manifestantes prometem fazer novo protesto caso a votação em primeira discussão do proposta não seja finalizada hoje. Uma das faixas do Viaduto Jacareí segue bloqueada por cerca de 400 pessoas desde às 6 horas.

No meio do plenário do Palácio Anchieta, a sessão mal havia começado quando uma discussão entre os vereadores Nabil Bonduki (PT) e Police Neto (PSD) quase acabou em briga. Police, ex-presidente da Câmara e aliado de Kassab, reclamava pelo fato de Nabil ter colocado em sua página pessoal do facebook que o PSD estava atrapalhando o andamento de um projeto importante para a cidade. Police não aceitou os argumentos e disse que Nabil havia feito uma acusação injusta e que tumultuaria o processo de votação ainda mais.

O ex-presidente questiona o governo em pontos do plano. Ele pede, por exemplo, que a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) faça uma estimativa de quantos moradores as áreas que poderão receber prédios altos (ao longo dos corredores de ônibus e das linhas do Metrô) vão receber nos próximos 16 anos.

“O PT e o PSDB está fazendo um acordo às escondidas. O PSD não faz acordo. Tudo o que o partido faz é público”, argumentou Police Neto (PSD), em referência à proposta do PT ao PSDB, que teria o direito de incluir três emendas à proposta e, com contrapartida, não faria mais obstrução à votação.

Para os petistas e parte da gestão Haddad, a obstrução do PSD mostra que o partido não pode mais confiar no apoio de Kassab para a tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Apesar de ter declarado no início do ano seu apoio a presidente, o ex-prefeito tem ensaiado nas últimas semanas uma aproximação ao candidato Aécio Neves (PSDB).

Floriano Pesaro, líder do PSDB e aliado de Geraldo Alckmin (PSDB), também lidera a oposição ao projeto. Ele acusa o prefeito Haddad de ter inflado os movimentos dos sem-teto contra os vereadores. Haddad chegou a pedir no início do mês aos líderes de ocupações que pressionassem a Câmara a votar o novo Plano Diretor, que cria novas áreas na cidade destinadas à construção de moradias populares.

Pré-candidato ao governo pelo PV, o vereador Gilberto Natalini também faz oposição ao projeto e acusa a gestão Haddad de favorecer o mercado imobiliário. “O mercado já está comprando os terrenos ao longo dos corredores. A cidade vai virar um paliteiro”, disparou. “Eu estaria fazendo oposição ao plano mesmo se não fosse candidato a nada.”

Para as lideranças governistas, a oposição do PSD e do PSDB ao Plano Diretor é uma tentativa dos pré-candidatos ao governo estadual Alckmin e Kassab de “sangrar” a gestão Haddad durante a votação do novo Plano Diretor. Paulo Fiorilo (PT) questiona como o PSDB, que tem a presidência da comissão de Política Urbana, não fez antes os questionamentos que surgiram nos últimos dias – o vereador Eduardo Tuma (PSDB) também apresentou um projeto substitutivo com mais de 500 páginas.

 

ACORDO

Para tentar arrefecer a oposição do PSDB, o governo Haddad oferece a possibilidade retirar do plano os artigos que tratam sobre estação de transbordo, locais intermediários no processo de coleta e tratamento dos resíduos sólidos. Tuma já sinalizou que vai abrir mão do substitutivo do partido para dar andamento ao processo de votação.

O PSD de Kassab, porém, se recusa a fazer qualquer acordo com o governo petista para retirar suas sugestões feitas à proposta.

 

Floriano Pesaro, líder do PSDB na Câmara Municipal: “culpa pelo atraso na votação do Plano Diretor é do próprio Haddad”