Depois do bosque da Batata, voluntários criam o “Largo das Araucárias”
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Depois do bosque da Batata, voluntários criam o “Largo das Araucárias”

Mauro Calliari

07 Janeiro 2018 | 14h22

 

A nova praça na região do Largo da Batata. Foto: M.Calliari


Eles fizeram de novo: os ativistas Ricardo Cardim, Nick Sabey, Sergio Reis, Guilherme Castanha, e Hamilton Cesar conceberam e, com ajuda de voluntários, num dia de dezembro, construíram um novo jardim na região do Largo da Batata.

O grupo já tinha conseguido mobilizar centenas de pessoas para limpar uma praça ao lado da Igreja no ano passado e plantar mais de 80 espécies de árvores. Alguns meses depois, as árvores estão crescendo frondosas, no bosque que o pessoal hoje chama de “Bosque da Batata”.

O bosque da Batata, crescendo. Foto: M.Calliari

A praça ao lado continuava abandonada, depois de ter sido um posto de gasolina. Cercada por tapumes, abrigava alguns casebres construídos por moradores em situação de rua.

O arranjo do grupo com a prefeitura foi formalizado por um contrato. Por ele, a Prefeitura Regional de Pinheiros ficou responsável por limpar o terreno e arranjar moradia, através de aluguel social, para os moradores do lugar.

O grupo de ativistas, por sua vez, desenhou e executou o jardim de chuva, um tipo de paisagismo que procura guardar e usar a água da chuva em vez de descartá-la na rede.

O jardim de chuva, um novo tipo de paisagismo. Foto: M.Calliari

O resultado é simpaticíssimo. No lugar onde antes havia entulho, hoje há uma pequena e agradável praça. O desenho do tal jardim de chuva, um dos primeiros da cidade, é original e calmante. Eles instalaram até um bom banquinho com encosto para quem quiser dar uma paradinha no burburinho da Paes Leme, um item muitas vezes esquecido em outras praças da cidade.

Doação de tempo e de recursos

A notícia mais interessante, porém, é tudo isso ter sido feito com doações de tempo, dinheiro e trabalho, por pessoas que acreditam que a cidade merece o investimento.

O retorno do trabalho não é óbvio. O espaço público resultante é lindo, mas o preço é a eterna vigilância. Afinal, para cada pessoa que se encanta com a pracinha, há os que que jogam lixo, pisam ou descartam entulho.

No dia da minha visita à praça, funcionários de uma loja em frente tinham acabado de jogar um monte de entulho na praça. Sergio preparava-se para ir conversar com o comerciante e tentar convencê-lo de que todos ganhariam se o lugar em frente à loja ficasse limpo, se a praça fosse mais usada, se o espaço público fosse respeitado.

Quando não há uma educação comum para resolver os problemas, eles precisam ser discutidos. Pessoas como essas estão aprendendo a fazer isso na prática.

Espero sinceramente que eles consigam ir fazendo o trabalho de formiguinha para não apenas criar espaços de uso coletivo, mas principalmente mobilizar  voluntários, patrocinadores e prefeitura a manter os espaços e ajudar as pessoas a frequentá-los e a cuidar deles, cotidianamente.