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Vigilantes do parque das pinturas rupestres recebem salários atrasados

Pablo Pereira

02 Setembro 2016 | 18h15

Um socorro financeiro fornecido pelo governo do Estado do Piauí devolveu a normalidade no atendimento público aos visitantes do Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, sudeste do Piauí. A partir desta sexta-feira, 2, as 28 guariteiras (agentes de portaria) do parque, ligadas à Fumdham, voltaram a trabalhar e os vigilantes, de empresa de segurança contratada pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), receberam os salários de 4 meses atrasados, liberados por ordem da Justiça Federal.

“Agora o pessoal ganha um tempo, paga as contas e o parque volta a funcionar pelo menos até o fim do ano”, disse ontem um vigilante logo depois de sacar o dinheiro no Banco do Brasil na cidade. Até quinta-feira, 1, apenas 3 das 27 guaritas estavam tendo vigilância “voluntária” desde o dia 17. Uma crise de repasses de verbas para o ICMBio e a Fumdham, da arqueóloga Niède Guidon, desarticulou o funcionamento do parque.

Sem a renovação do convênio entre a Fumdham e o governo federal desde 2015, a entidade da criadora do parque, responsável pela preservação de pinturas rupestres milenares, penava com a redução dos repasses de recursos e teve de anunciar a demissão de pessoal do parque. Em ação impetrada pela OAB do Piauí, o juiz federal Pablo Baldivieso condenou a União no caso, determinou sequestro de verbas e ordenou que o ICMBio e o Iphan decidissem rapidamente se iriam ou não refazer o convênio com a Fumdham. Na última terça-feira, representantes do Iphan se reuniram com Niède Guidon para discutir o assunto.

No último dia 26, a arqueóloga disse ao Estado, em entrevista em São Raimundo Nonato, que se os recursos não chegassem até o final de agosto, teria de demitir as agentes de portaria. E iria a Paris avisar a Unesco sobre a inviabilidade de continuar dirigindo o parque, considerado patrimônio da humanidade. “Para a Unesco, a responsável técnica por este patrimônio é a Fundação. É o meu nome. Então eu vou avisá-los que não tem mais condições de preservar. E então a única solução é colocar como patrimônio em perigo”, disse a cientista.


Enquanto o governo federal não define quem vai tocar o parque, ou seja, se mantém a equipe de Niède Guidon, criadora daquele complexo de mais de 700 sítios arqueológicos e do Museu do Homem Americano, no comando da preservação e operação do parque, o governo estadual alcançou os recursos emergenciais para o funcionamento. A crise está, temporariamente, debelada. Resta saber se Niède Guidon, de 83 anos, será mantida no comando do projeto ao qual ela dedicou a vida no interior do Brasil.

 

 

 

 

 

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