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Sidrolândia: esquecida por Brasília, cidade vive dias de tensão e prejuízos

Pablo Pereira

09 Junho 2013 | 11h20

Controlada agora pela presença da Força Nacional, Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul, viveu dias de tensão com o conflito fundiário agravado depois da morte de um terena no dia 30. Foi uma semana de preocupação e insegurança até a chegada dos soldados.

O município, a cerca de 70 quilômetros de Campo Grande, tem 50 mil habitantes, uma economia ancorada no agronegócio, arrecada R$ 7 milhões em impostos e tem uma dívida de R$ 22 milhões. O prefeito Ari Basso (PSDB) assumiu em janeiro com a tarefa de tocar uma administração sem dinheiro numa das principais áreas de conflito fundiário do estado. Além das terras de 23 fazendas, 17,3 mil hectares, que os terena disputam com fazendeiros, o município concentra 23 assentamentos de reforma agrária com mais de 4 mil famílias. Segundo a prefeitura, 1% dos assentamentos de todo o país.

Localizada à beira da BR 060, estrada que liga a capital à região turística de Bonito, no Pantanal, Sidrolândia tem 150 mil hectares de culturas como soja, milho, algodão, além de fazendas de pecuária. A empresa Seara tem lá um a unidade com capacidade para 600 abates por dia. Pelo menos meia centena de terena trabalha na indústria.

Dados da prefeitura apontam que em duas aldeias, Córrego do Meio e Lagoinha, há 155 famílias. Os terena afirmam que são pelo menos 5 mil índios, mas de acordo com os registros do município há somente 550 habilitados para votar. Há 76 indígenas trabalhando na prefeitura.

O índio Oziel Gabriel, de 35 anos, era funcionário público. Jabez Gabriel, de 41 anos, irmão dele, é professor de português da rede municipal. Dá aulas para crianças no ensino fundamental.

Para o prefeito Ari Basso, o governo federal demorou para ver a gravidade da situação. E o conflito fundiário já provoca uma paralisação na economia do município. “Gente que estava planejando comprar terras, fazer investimentos aqui, já está esperando para ver o que vai acontecer”, disse Basso. “Esse clima de guerra é muito prejudicial. O governo federal tem de dizer logo o que é da Funai e o que é dos produtores. Quem é que vai querer investir com essa insegurança?”, questionou Basso.

Sidrolândia luta também para ser sede, em setembro, da festa nacional da orquídea. E planeja atrair escolas de ensino superior. “Temos aqui 1.300 alunos que vão estudar fora. Precisamos manter esses jovens aqui”, disse o ex-prefeito Enelvo Felini, atual chefe de gabinete da prefeitura. “Para isso precisamos de paz na cidade”, emendou.

“Os índios aqui sempre viveram em harmonia com os produtores”, completa Basso. “Esperamos que a Força Nacional nos ajude a voltar ao normal, a produzir”, afirmou.

Veja depoimentos de produtores que tiveram prejuízo com a onda de ocupações promovida por índios após a morte de Oziel Gabriel.

Rubens do Amaral Júnior, que na quarta-feira retirava o gado da fazenda Lindoia, tomada na segunda-feira. E Rosana Corrêa, da fazenda Cambará, que falou na quinta-feira, sobre a entrada dos terena nas terras no domingo.

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