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Revista oferece painel sobre águas de São Paulo

Pablo Pereira

07 Janeiro 2015 | 01h36

Um forte debate sobre o abastecimento de água em São Paulo tomou corpo no início do ano passado, por conta da estiagem que então se anunciava, acabou, no segundo semestre, por revelar o leito rachado da Cantareira enquanto moradores de bairros da capital sofriam com as torneiras secas. A ameaça do racionamento atravessou o ano de campanha eleitoral, passou pelas festas dezembrinas e, mesmo depois das chuvas recentes, permanece neste princípio de janeiro como uma sombra incômoda a perturbar milhões de moradores da Grande São Paulo.

“Em 1875, é fundada, com capital inglês, a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos. Entretanto, esta empresa privada não deu conta de abastecer São Paulo, que experimentava uma explosão demográfica. Acabou encampada, em 1893, pela recém-criada Repartição de Águas e Esgotos, que imediatamente começou a construir um sistema muito mais ambicioso de adução de águas na Serra,” conta texto de pesquisa histórica sobre as origens dos sistemas de abastecimento de águas de São Paulo, publicado na Revista do Arquivo Público de São Paulo, número 62.

Com um quadro revelador da formação da cadeia de abastecimento de águas na região, a revista mostra artigos que oferecem um panorama da questão da água desde quando a metrópole era ainda um vilarejo perdido à beira da estrada e tinha água em abundância. Mais: dá detalhes preciosos de um modo de vida paulistano impensável nos dias de hoje por aqui. 

“A morte dos porcos, impressionante pelos gritos do animal, era um acontecimento, e ajuntava dezenas de pessoas, muitas das quais esperando conseguir alguma carne ou banha”, conta Janes Jorge no artigo “Na beira dos rios de São Paulo, gente, bichos e plantas, 1890-1940“. Vale a leitura. Há nesta edição riqueza de dados, impressionantes, como o fantástico crescimento populacional registrado na cidade entre os anos de 1872 e 1934: 5.689%.

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