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Nos primórdios, hotel por decreto

Pablo Pereira

11 Abril 2010 | 08h38

A cidade vive tempos de forte atração turística, com eventos que chamam mais e mais gente para desfrute dos bons serviços, gastronomia nota dez, shows, corridas de carros, além das feiras e de grandes jogos de futebol. São Paulo tem sido referência brasileira na oferta de qualidade dos profissionais do atendimento.

Essa vocação da cidade é bem antiga. Data dos primórdios da vila isolada no planalto de Piratininga. Distantes do litoral, obrigados a viver em uma certa solidão, que até já deu nome a livro (A Capital da Solidão, de Roberto Pompeu de Toledo), os paulistanos se acostumaram com os viajantes e nos últimos 4 séculos desenvolveram o apreço pelos bons serviços.

Corria o ano de 1599 e a vila ainda era caminho na direção do interior brasileiro quando caiu a ficha do administrador público: precisa-se de um hotel!

E, por determinação da Câmara, nasceu o primeiro local oficial de hospedagem e serviço de restaurante de São Paulo. Por decreto, o paulistano Marcos Lopes foi nomeado hoteleiro oficial. “Que teria, para oferecer, carne, beijus, farinha e outras coisas”, lembra o historiador Ernani Silva Bruno, após consultas às Atas da Câmara da Vila de São Paulo.

Pelos estudos de Bruno, quatro anos após o aparecimento do hotel de Lopes surge uma nova estalagem na vila, em 1603, quando a cigana Francisca Rodrigues começa a explorar o serviço de hospedar e alimentar. A partir de então, o negócio se expande e se adapta ao crescimento da cidade. Em 1609, contam as Atas da Câmara, havia várias tavernas “sabendo-se que o ramo verde colocado na porta era o distintivo das casas que vendiam vinho.”

Desses dois primeiros personagens da hotelaria paulistana pouco se diz nos registros. Mas, certamente, foram Marcos Lopes e Francisca Rodrigues os pioneiros dos bons serviços do que hoje se chama de turismo de negócios.

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