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Na ausência do vereador, Zé Careca garante!

Pablo Pereira

03 Julho 2012 | 09h45

E um grupo de senhores vereadores da Capital paulista inventou um jeito de receber sem trabalhar. Montaram um esquema dentro da Câmara que lhes permite a “presença” na Casa, mesmo estando fora, para evitar um desconto de R$ 465 no pagamento por falta no serviço. A fraude, praticada por pelo menos 17 parlamentares, foi mostrada pelo Estado no domingo, 1 de junho, em reportagem dos jornalistas Adriana Ferraz, Diego Zanchetta, J.F. Diorio e Juliana Deodoro.

O material publicado mostra como é feita a falcatrua. Funcionários da Câmara, um deles conhecido como Zé Careca, pagos também pelo dinheiro do contribuinte paulistano, são encarregados de “acertar” a coisa para garantir a mamata. Com essa prática, o vereador pode andar por aí livremente sem medo de ser feliz no final do mês. Não precisa permanecer na Casa. O Zé Careca garante!

Os senhores vereadores que usam o esquema Zé Careca de apertar o botão da presença na ausência deveriam era dar uma gorjeta ao homem, afinal, se ele “abonar”, digamos, uns dez dias, terá assegurado ao caixa deles um depósito de uns quatro paus e meio, pelo menos, que deveriam ser descontados a bem do cumprimento da lei.

E mais: agora, com essa revelação do Estado, quem terá certeza de que não tem gente, entre os protegidos por Zé Careca, que deixou de cumprir com a obrigação legal por 20 ou até 30 dias?

A mutreta para garantir o salário na Câmara dos Vereadores paulistanos é mais uma das peças de desqualificação dos políticos que os próprios representantes do povo acrescentam ao descrédito do eleitor. São tantas. Altos salários, infidelidade partidária, denúncias de corrupção, ineficiência.

A cada revelação desse tipo o Legislativo, nesse caso o municipal, que tem 55 vereadores, fica mais enfraquecido. Eles mesmos se encarregam de tornar o ambiente do serviço público insalubre, pleno de desconfianças, de suspeitas, de insatisfação. É uma pena que esses escândalos, práticas reveladoras do descaso da representação democrática com o contribuinte, continuem a enxovalhar a cidadania.

A constatação da existência desse tipo de falcatrua correndo solta no Legislativo, sem dúvida, leva muita gente a pensar na efetiva validade de seu voto. Diga, aí: por que ir às urnas para escolher vereador em outubro se ele, ao assumir, vai para lá fazer esse tipo de coisa? Vá lá um trabalhador normal burlar o ponto na empresa onde trabalha para ver o que lhe acontece?

Mas e os vereadores? Ah, esses podem. O Zé Careca garante!

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(texto publicado no dia 2 no Estadão Noite no iPad)

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