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Espanha tem o melhor futebol. Mas comparar com 70 já é demais

Pablo Pereira

02 Julho 2012 | 13h18

A Espanha encheu os olhos do mundo do futebol neste domingo, 1 de julho. Quem gosta do esporte – e, óbvio, não torce para a Itália – não teve do que reclamar após os 90 minutos em Kiev na decisão da Eurocopa. Os espanhóis jogaram como sempre. E fizeram 4 a 0 na boa seleção de Pirlo e Balotelli, arrematando o segundo título do campeonato. Show de bola.

Iniesta e companhia jogam o fino há bastante tempo. Tocam curto e de primeira, não dão chutão, não fazem o irritante chuveirinho – tão nosso conhecido no Brasil -, erram poucos passes, empurram o adversário para um jogo em metade do campo e conquistam terreno com posse de bola. No caso da Itália, coitada, ainda deu azar de ter de terminar a partida com 10 homens por ter perdido um por lesão, o que levou os que sobraram em campo a uma certa prostração diante da Fúria espanhola. Outro dia, escrevi que os espanhóis têm hoje o melhor futebol do mundo. A turma do vermelho e amarelo confirma agora essa superioridade.

No final, os jogadores foram buscar as crianças, devidamente uniformizadas, para brincar no gramado enquanto esperavam a glória de erguer a cobiçada taça. Andei pela Espanha dias atrás e senti no povo a sede de redenção vivida por conta da crise econômica que obrigou o país a ir ao Fundo Monetário pedir dinheiro para saldar as contas.

A vitória da seleção na Eurocopa, sabemos, não resolve a coisa, mas certamente ajuda a mitigar os estragos da vida real. Aquela imagem da La Roja no campo, com seus filhos, certamente será bastante explorada nesta semana como um grito de arrumação, como aquela vinheta que por aqui foi muito famosa – “Brasil!” -, quem não se lembra…

Aliás, a coisa até já começou. Hoje. no site do El País, cuja manchete era “España celebra La Roja”, um cronista arrisca-se até a levantar uma dúvida: “Es España mejor que el Brasil de 1970”, pergunta em título. E o texto:  “Henry Winter lo dice en su crónica del partido en The Telegraph, no solo son tres títulos consecutivos, es la manera de jugar lo que permite “la comparación legítima” de “las luciérnagas rojas” (así llama a la selección) “con los grandes artistas del Brasil de 1970, los Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson y Rivelinho”.

Bom, os espanhóis são muito bons e tal. Mas daí a querer comparar com 70 já é demais…

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