A passeata globalizada e o preço do gás
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A passeata globalizada e o preço do gás

Pablo Pereira

27 Junho 2013 | 11h12

Cartazes de protesto que encontrei no Largo da Batata, dias atrás, davam às manifestações de rua em São Paulo um caráter de movimento globalizado, tipo Madri, Praça Tahir, Istambul, Occupy Wall Street. Legal. Temos manifestantes falando inglês!

Dizia lá:

Bomba de gás = R$ 40, 00; bala de borracha = R$ 1/cada; spray de pimenta = R$ 25,00. Não é só sobre R$ 0,20, concluía o cartaz, criticando a violência policial. Ao lado, outro que ironizava a Copa do Mundo: Benvindos ao maior evento que o Brasil hospedará.

Perguntei a uma senhora, que nestes dias de correria sai do trabalho mais cedo por causa das manifestações, o que estava escrito nos cartazes. Ela mora no Taboão da Serra, zona sul de São Paulo, e anda assustada com as passeatas.

Ela olhou as palavras em inglês, e respondeu:

– Sei não!

Depois de um tempinho, ela olhou de novo o cartaz, e completou:

-Mas esse gás aí tá é barato. Lá em casa eu pago R$ 48 no butijão da Ultragaz!

A gente sabe que boa parte da turma que está indo às ruas tem grana para viajar ao exterior, é descolada. E descreve os descontentamentos na língua de lá, embora viva e fale o idioma de cá. Mas ainda há muita gente que, infelizmente, tem outras coisas importantes para defender – tipo a vida mesmo, o medo dos assaltos, o valor da passagem, o quilo do feijão, o preço do gás (de cozinha!), essas coisas.

Se o amigo leitor ainda não tem como pegar um avião para cruzar oceanos, falar a língua dos gringos, conhecer a Capadócia da novela, mas quer saber um pouco de como nosso modo de vida se situa no mundo, pode brincar de montar gráficos comparativos aqui na web, em português. É bem simples. Qualquer criança ajuda.

O gráfico abaixo, por exemplo, mostra dados do Banco Mundial que podem explicar um pouco do estado de espírito dos brasileiros em relação à segurança pública nos últimos anos.

É índice de homicídios qualificados. Os dados estão defasados, mas não houve assim mudança tão radical nos instintos urbanos brasileiros nos últimos meses. Os números servem para dar uma ideia aproximada do peso que anda acumulado na alma dos brasileiros.

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