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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.
quarta-feira 25/08/10 06:10

Em SP, dentro da bolha

Poluição do ar: imagem da zona norte de São Paulo na manhã desta quarta, 25

Há mais de 40 anos, numa novela de rádio, ouvi a apocalíptica história de um grupo de pessoas que sobrevivera a uma explosão nuclear. Viviam em uma bolha de alguns quilômetros, sem saber exatamente o que havia acontecido no mundo, cercados por uma mortífera parede de fumaça radioativa. Era uma visão do futuro. O cenário era nítido somente no interior da bolha.  Não lembro bem de toda a história, nem do autor do roteiro. Mas recordo que os personagens caminhavam até o limite de um terreno e que lá ...

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domingo 22/08/10 21:12

O que foi regra virou exceção

Largo do Rosário, 1900. Calçadas alinhadas no tempo das carroças/Reprodução

Volta e meia as calçadas de São Paulo retornam à agenda municipal. Essa preocupação com os passeios é antiga. Outro dia, reportagem do jornalista Diego Zanchetta lembrava que as primeiras calçadas paulistanas surgiram no Pátio do Colégio após Portaria Imperial de abril de 1822. Mas, pelo que se vê pelas ruas, esse é tema de avanços e recuos. Vemos por aí guia desalinhada; pintura (quando existe) rala; piso (quando há) irregular - uma pedra grita e outra não ouve. E o ...

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domingo 15/08/10 18:40

As marquises da Paulista

Local de eventos alegres da cidade, como festejos de fim de ano, corrida de São Silvestre, comemorações de torcidas de clubes de futebol, paradas religiosas e gay, a Avenida Paulista tem atraído a atenção pela tristeza. Temendo os abandonados que dormem pelas calçadas, lojistas da região fecharam espaços sob marquises para impedir a indesejada presença.

É curiosa a situação da Paulista. Aberta em 1891 para ser aprazível morada de famílias abastadas, no alto do Morro do Caaguassu, foi por mais de século objeto de desejo. Nos últimos anos, com a chegada do metrô e a reforma de prédios residenciais, a região vive uma nova mudança de perfil – a via, que durante tempos foi reduto de negócios, hoje atrai moradores em busca do conforto dos bons serviços que por ali se desenvolveram. Outro dia, lendo sobre Lina Bo Bardi, uma das principais personagens da arquitetura paulistana, relembrei o que a criadora do Masp queria para aquela área da Paulista: mais gente.

Na incontrolável balada da reconstrução da paisagem paulistana, que ergue e destrói coisas belas, como disse o poeta, o próprio museu-cartão-postal de Achillina Bo – nascida na Itália em 1914 e naturalizada brasileira em 1951 – é marca da devassa centenária.

O Masp foi construído no local em que a cidade viu, até os anos 50, um clube conhecido como Trianon – referência a uma construção que lembrava os jardins de Versalhes. Os pavilhões do Trianon da Paulista, das festas dos anos 20 e 30, abrigaram também a bienal de artes da cidade. Mas foram demolidos no fim dos anos 50. Sobre o terreno foi erguido o Masp, como lembrou o historiador Nestor Goulart Reis Filho no Jornal da Tarde, em 1990.

Lina, que morreu em 1992, queria o museu em conjunto com o Parque Trianon – que chamou de “Central Park dos Pobres” no livro Lina Bo Bardi (Imprensa Oficial). Ela não conseguiu a integração do seu Masp com a área de mata do outro lado da avenida. Mas o vão livre, no antigo belvedere, permanece aberto. Pelo menos durante o dia.

(Texto publicado em O Esado de S.Paulo)

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sábado 07/08/10 21:03

Fantasma que insiste em atormentar

O noticiário brasileiro dos últimos meses é lamentavelmente rico em registros de agressão a mulheres – casos que vão do palavreado ofensivo à máxima brutalidade. A abominável atitude, usada como solução de conflitos de casais, em muitos casos atinge filhos e, pior, não raro acaba em morte. Uma rápida passada de olhos na história paulistana nos mostra que essa violência, infelizmente, é herança secular na cidade. A leitura dos estudos da historiadora Alzira Lobo de Arruda Campos, aos quais é sempre ...

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sábado 07/08/10 21:01

Vila oitocentista permitia divórcio

Na São Paulo oitocentista, quando a convivência em casa se tornava insustentável o caso ia parar no juiz ou no padre. Eram as figuras que, em muitos locais, dividiam o poder na sociedade colonial. A historiadora Alzira Lobo ensina que, à época, já havia para esses casos a alternativa do divórcio, mediante a comprovação de sete quesitos: “maus-tratos ou sevícias; perigo de salvação por heresia, apostasia ou infandae veneris scelus; perigo de vida por atentado de violência; mau proceder desregrado ...

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sexta-feira 06/08/10 08:45

Semana dos 100 anos de Adoniran-2

Uma chuva (ou garoa) de eventos caiu mesmo sobre São Paulo para comemorar os 100 anos de nascimento de Adoniran Barbosa, o maior sambista da cidade, como diz hoje o jornalista Lucas Nobile no O Estado de S.Paulo e no estadão.com.br. Lucas Nobile, músico talentoso, que sabe tudo de cavaquinho, informa o que acontece na cidade para homenagear João Rubinato de hoje, sexta-feira, 6, a domingo. Clique aqui.

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quarta-feira 04/08/10 11:45

Pingos antigos que alegram o presente

Motoristas que saíram cedo de casa nesta quarta-feira e passaram pelo espigão do Caaguassu curtiram a garoa no vidro do carro

Depois de uma certa idade, acredito eu, o desafio de viver bem está na constante renovação das expectativas e na percepção da riqueza dos melhores momentos do passado. Alguns amigos aqui do Garoa, às vezes, dizem: "ah, no tempo da garoa..." Um lamento saudoso, tristonho. Como se ela os tivesse abandonado. Que nada! Ela continua presente, nos refrescando!    [caption id="attachment_2381" align="aligncenter" width="450" caption="Motoristas que passaram cedo, nesta quarta-feira, 4 de agosto, pelo velho espigão do Caaguassu curtiram a garoa no vidro do carro"] Ler post