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Apagão e ‘Lampião de gás’

Pablo Pereira

17 Novembro 2009 | 10h38

Nestes tempos de apagão, pensei: como seria São Paulo lá atrás, no tempo, sem luz. Desculpe, mas no escuro, só com a bateria de telefone celular, como ocorreu há alguns dias, um pouco de nostalgia faz bem. Lembrei que tinha lido sobre quando São Paulo adotou a luz elétrica nas ruas. Foi em 1911. Voltada a energia, fui refrescar a memória.

 Reencontrei no belo ensaio de Palmira Petratti-Teixeira, no livro A História da Cidade de São Paulo (Paz e Terra, volume I), o que procurava. Ela lembra lá que o prefeito da época era Antonio Prado. “A obra emblemática de Antonio Prado foi o Theatro Municipal. Sua inauguração, em 1911, marcou o advento da iluminação elétrica nas ruas”. A luz das ruas, até então, era a gás. O artigo dá show ao lembrar da valsinha Lampião de gás, “de autoria de Zica Bergami”, explica a historiadora.

Reproduzo o que está no livro:

Lampião de gás, lampião de gás,

Quanta saudade, você me traz!!!

Da sua luzinha, verde azulada,

Que iluminava, a minha janela,

Da almofadinha, lá na calçada,

Palheta branca, calça apertada.

(…) Do bonde aberto, do carvoeiro,

Do vassoureiro,

Com seu pregão…

Da vovozinha, muito branquinha,

Fazendo roscas, sequilho e pão…

(…) Minha São Paulo, calma, serena,

Que era pequena,

Mas, grande, demais!

Agora, cresceu,

Mas tudo… Morreu,

Lampião de gás, que saudades você me traz!!

Conversando nesta quarta-feira, dia 18, com dona Silvia, filha de dona Zica Bergami, para saber dela e atualizar o post, fiquei sabendo do contato da família, dias atrás, com o jornalista José Maria dos Santos. José Maria, conhecedor da história paulistana e jornalista de faro apurado, publicou seu texto sobre o apagão e dona Zica no dia 13, no Diário do Comércio, lembrando do Lampião de gás. Quem quiser conhecer mais um pouco sobre dona Zica pela pena de José Maria dos Santos pode clicar aqui.

Ou, então, acessar o site www.zicabergami.com.br, trabalho da artista Zezé Freitas, que gravou músicas de Zica Bergami. Há lá, inclusive, um livro no qual dona Zica, hoje com 96 anos, conta sua história com detalhes da vida em São Paulo e da carreira de artista. Ela foi cantora, compositora e pintora.