Mães protestam contra hospital Salvalus
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Mães protestam contra hospital Salvalus

Marcel Naves

27 Setembro 2016 | 17h58

Sede do hospital Salvalus, na Rua Bresser, no Belém, zona leste da cidade.

Sede do hospital Salvalus, na Rua Bresser, na Mooca, zona leste da cidade

Pacientes, funcionários e ex-colaboradores do hospital Salvalus, na zona leste da cidade, estão elaborando um protesto, para o dia 01 de outubro. O objetivo, de acordo com os organizadores, é chamar a atenção das autoridades para uma série de denúncias.

A maior parte das reclamações já se transformou em inquéritos policias, que ainda estão em andamento. Outras queixas, encaminhadas ao SAC da instituição, ainda se encontram em análise.

Uma enfermeira, que por manter vínculos empregatícios com o hospital não pode ser identificada, relata uma série de problemas. Ela diz que faltam médicos, que a limpeza é irregular e fala até em casos mais graves de infecção, como os causados pela bactéria KPC, omitidos. “A orientação que nos passam é para que, se alguma criança apresentar um caso de contaminação por KPC, é para não informar aos pais, não falar nada”, afirma.


Uma ex-técnica de enfermagem, que trabalhou por três anos no local, relata que não existe material de higiene pessoal e que as roupas não são devidamente limpas e esterilizadas. A mãe de um bebê com apenas 07 meses, que também prefere o anonimato, alega que teve de recorrer à Justiça após descobrir que a criança havia morrido com três costelas fraturadas.

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Lidiane Braga Fidelix, com o filho Benjamim, que faleceu no último dia 10.

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Milena Lorrainy, mãe de  Enzo Gabriel,  que morreu após  dois dias de vida.

Milena Lorrayne, mãe de Enzo Gabriel, diz que até hoje luta apara ter informações sobre as reais causas da morte do filho.  Ela relata que a criança nasceu no dia 07 de agosto, mas morreu inesperadamente dois dias depois. “Quando meu bebê nasceu, mesmo prematuro, fui informada de que era um bebê saudável, mas depois ele morreu, sem nenhuma explicação”, declara.

Todas estas e outras denúncias motivaram Lidiane Braga Fidelix a organizar um movimento nas redes sociais. Lidiane é mãe de Benjamim Braga Fidelix, que faleceu aos três meses de idade, após sofrer complicações clínicas. Até hoje ela afirma que não sabe a causa real da morte de seu filho.

Em um comunicado por e-mail, o hospital Salvalus negou haver irregularidades e afirma que trabalha em conformidade com a legislação vigente. Ainda segundo o comunicado, o caso do menino Benjamim ainda está em análise na comissão de ética. Quanto aos esclarecimentos necessários sobre a morte de Enzo Gabriel, os mesmos podem ser obtidos junto ao Serviço de Verificação de Óbito.  Os demais casos apontados estão sendo analisados internamente.

Confira abaixo a nota divulgada do Hospital:

“Nós, do Hospital Salvalus, prezamos pela prestação de serviço médico hospitalar de excelência e buscamos atender aos nossos pacientes com eficiência, qualidade no atendimento e segurança. Atuamos  há sete anos como um dos maiores complexos hospitalares privados do Brasil, que atende diariamente cerca de dois mil pacientes entre pronto-atendimento, cirurgias de baixa e alta complexidade e atendimentos de especialidades. São 523 leitos no hospital, 78 de UTI e 26 da UTI Neonatal.

O pronto-socorro da pediatria realiza uma média de 176 atendimentos por dia, totalizando 2,4 pacientes por hora para cada médico, um número que está acima do padrão preconizado pela Organização Mundial da Saúde.

Nossa Comissão Interna de Controle de Infecção Hospitalar determina todos os procedimentos realizados no hospital com base em normas legais, tais como as vestimentas e paramentos utilizados pelos colaboradores. A Comissão está ativa e reúne-se periodicamente para realização dos relatórios de controle e indicadores, que são apresentados frequentemente aos órgãos competentes.

Todo o corpo de enfermagem é contratado de acordo com as normas e exigências do Órgão de Classe, assim como todo o corpo clínico do hospital. Nossa lavanderia é própria, seguindo normas internacionais para processamento de roupas hospitalares e com produtos químicos homologados pelos órgãos fiscalizadores. A limpeza é feita com processos e produtos homologados pelo órgão regulador para utilização em ambiente hospitalar, essa equipe também é treinada regularmente com as técnicas específicas preconizadas para a área da saúde.

Em setores críticos como Centro Cirúrgico, Obstétrico e Centrais de Materiais são seguidos todos os preceitos de precaução com uso de roupas privativas. Contudo, em UTIs isso é feito em casos com indicação de precaução de contato, em que utilizamos paramentação adequada, como avental de isolamento descartável e luvas descartáveis. Vale frisar, conforme normativa da ANVISA, o uso de propés não é indicado.

Caso Benjamin:

A equipe do Hospital Salvalus se solidariza com a família do menor Benjamin, diante da dor irreparável vivenciada por eles neste momento. Todos os esforços possíveis para evitar esse desfecho foram feitos, com três cirurgias durante a permanência dele na instituição e uma primeira tentativa de reversão da invaginação intestinal feita em menos de 24 horas após a admissão dele no pronto-socorro infantil. No momento, o caso do menor Benjamin está na nossa Comissão de Ética e pode ser encaminhado aos órgãos competentes assim que for concluído. 

O Hospital já fez diversas tentativas de contato com os familiares de Benjamin para esclarecimento de toda a conduta e os esforços empreendidos em seu tratamento, mas não obteve sucesso. Entendemos que é um momento delicado e de muita dor, mas reiteramos que estamos à disposição da família para quaisquer suportes necessários, uma vez que o Hospital está sendo condenado sem ser ouvido.

Em relação à mobilização a respeito dessas supostas irregularidades, afirmamos que estamos apurando os fatos internamente por meio de uma sindicância. Caso seja comprovada qualquer irregularidade no atendimento prestado, serão tomadas as providências necessárias, como sempre foi a conduta do Hospital.

Ainda, é preciso esclarecer que os casos citados nas redes sociais não encontram-se pautados na realidade técnica do caso concreto, assim como também não representam o posicionamento do Hospital Salvalus. Em nenhum momento fomos procurados pelas autoridades competentes a respeito de inquéritos policiais envolvendo os três casos apontados pela reportagem.

Assim, consideramos a mobilização marcada para o dia 1º de outubro equivocada, principalmente por conta da geografia do hospital, uma vez que essa concentração pode impedir o fluxo de pacientes graves e ambulâncias, colocando a vida de muitas pessoas em risco. Ele fica localizado entre o Metrô Bresser, a Rua Bresser e a Radial Leste.

Em relação aos outros casos citados:

Segundo paciente:

O paciente em questão foi atendido pelo hospital até o início do ano e até o momento não temos registro de nenhum tipo de ação por parte dos familiares ou mesmo inquéritos abertos referentes ao caso. Ainda assim, são comuns fraturas de costelas em casos de recém-nascidos que são sujeitos a manobras de ressuscitação de urgência.

Enzo:

O parto foi realizado no hospital com o nascimento do bebê prematuro, com idade gestacional de 34 semanas. Como o óbito ocorreu em menos de 48 horas e não foi possível precisar o motivo da morte, ele foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbito, que esclareceu as causas da morte e pode ser acionado pelos familiares. Também ofertamos uma reunião com nosso Diretor Clínico para esses esclarecimentos, o que foi negado pela família”.

Ouça aqui a reportagem: